A rota
Poderia partir por novos caminhos, mas, como a intenção é ser uma viajem educacional, num veleiro escola, dará preferência às rotas conhecidas, aos melhores lugares descobertos durante as três voltas ao mundo
Conheça a rotaAleixo Belov
Fazendo Rumo ao Brasil
Sai de La Linea, Espanha, no dia 03 de setembro bem cedinho, para atravessar o Estreito de Gibraltar ainda com a luz do dia. A correnteza estava muito forte e era contra. Quase não tinha vento e mesmo com dois motores mal avançava a três nos, até que a maré inverteu e nos empurrou de volta ao Atlântico. Passamos por Tarifa e logo em seguida fizemos rumo para SE, atravessamos o canal de trafego com todo cuidado, e fomos parar nas proximidades da costa africana. Daí em diante o rumo já era em direção ao Brasil, ainda que fossemos parar em Las Palmas de Gran Canárias. O vento foi melhorando e já fazíamos, as vezes, mais de 8 nós. As ondas se formaram e Sabia ia filmando tudo enquanto o barco abria um sulco no mar e jogava espuma para todo lado. Terminamos fazendo as 710 milhas ate as Canárias em 5 dias, chegando lá no dia 08 de setembro.
Com a volta de alguns e a vinda de cinco alunos novos, éramos novamente oito a bordo, formando a quarta e última turma, antes de voltar ao Brasil. Eram quatro novatos além de meu filho Alexey, que voltava pela terceira vez, depois de trancar mais uma vez seu curso de engenharia na Unifacs. Rafael Carvalho é advogado, Julio Ribeiro estudante de engenharia, Rodrigo Molina administrador, e Sabia cinegrafista e saltador de pára-quedas além de outras loucuras. A turma era boa e de pessoas mais maduras. Estava um pouco cansado de gente muito nova que nem sabia o que queria.
Era muito bom voltar a navegar no Atlântico, o Oceano do quintal de nossas casas. A gente olhava para frente e queria ver o Brasil, mas estava um pouco cedo, ainda faltavam umas 3000 milhas. Portanto era melhor cultivar a paciência. Ainda iríamos parar nas Canárias, e só depois é que faríamos rumo a Fernando de Noronha, e outros pontos do Brasil.
Analisando a viagem a partir das Canárias, onde estamos na marina Puerto Desportivo, faltando menos de 3.000 milhas de casa, podemos dizer que os objetivos da viajem do Veleiro Escola Fraternidade estão sendo cumpridos.
- Esta quarta volta ao mundo, ainda não concluída, já é a mais longa de todas elas, com 27.622 milhas navegadas e que vai ultrapassar as 30.000 milhas, devido a minha ida ao Mar Negro, na Ucrânia.
-O Fraternidade já atracou até o momento em 38 portos pelos caminhos do mundo em 20 meses de viajem.
-Treinamos 26 alunos, o que considero uma grande vitoria. Teríamos treinado até mais, se não tivéssemos ficado no trecho da Índia ao Sudão com apenas 3 a bordo, devido ao risco de encontrar piratas, pois passamos em frente a Somália. Não queria arriscar os alunos.
Agora estamos curtindo as ilhas Canarias e daqui a 3 ou 4 dias, seguiremos para o Brasil.
O sonho é chegar, abraçar os amigos, tomar uma água de coco, deitar numa rede e dormir.
Depois cuidaríamos do resto.