A rota

Poderia partir por novos caminhos, mas, como a intenção é ser uma viajem educacional, num veleiro escola, dará preferência às rotas conhecidas, aos melhores lugares descobertos durante as três voltas ao mundo

Conheça a rota

Aleixo Belov

Os barcos

Para fazer suas viagens, Aleixo Belov fez parte de diversas tripulações dos   mais variados barcos, desde canoas a pano, escunas, veleiros de cruzeiro, de regatas e até navios. Observou, ao mesmo tempo, o funcionamento de cada peça do barco em que viajava, assim como o dos barcos que foi encontrando pelo caminho. Isto não foi difícil para um engenheiro que estava interessado no assunto, e que veio a ser muito útil quando resolveu construir seus próprios veleiros.

A primeira experiência de construção naval ocorreu quando, voltando de Porto Seguro decidido a dar a volta ao mundo, saiu procurando ver os barcos na Ribeira, e encontrou um saveiro de 2 mastros, Vera Cruz, de madeira, sendo transformado na escuna de 3 mastros Santa Cruz, de Lev Smarcevsky. Ao contar o seu sonho foi logo admitido na provável futura tripulação. Deram-lhe um pincel e uma lata de tintas, foi seu primeiro trabalho. Passou 4 anos ajudando na construção, antes de viajar  já como encarregado de navegação astronômica, naquele tempo não existia GPS. No período de testes, o Santa Cruz foi umas 10 vezes a Cajaiba do Sul, onde também  pode observar de perto muitas escunas em construção.

Acompanhou de perto a construção do Madenina por Sergio Audino, um veleiro de 2 mastros em ferro-cimento. Observou rapidamente outros barcos sendo construídos na África do Sul.

O Três Marias

Quando deu inicio a Construção do seu primeiro veleiro, o Três Marias, um Bruce Roberts 36”, em fibra de vidro no quintal de sua casa, o que mais tinha medo era de ele já nascer velho, mal feito, mas isto não aconteceu. O que tinha aprendido era pouco, mas o suficiente para o barco construido dar 3 voltas ao mundo em solitário sem avarias. Foi construído sem molde, apenas  com um plug, pois não encontrou parceiros. Na época, todos diziam que um  barco de 36 pés era muito grande, foi o maior veleiro em fibra construído em Salvador. O Três Marias estava sendo construído no quintal de casa, enquanto no trabalho, comandava a produção de 3 plataformas de petróleo offshore de 30.000t.

O Fraternidade

Ao completar 60 anos, Aleixo Belov resolveu projetar e construir o Veleiro Escola Fraternidade. Para isto foi ajudado por muita gente. Quando em 1989 Oleg Belly construiu o Kotic 2 no interior de São Paulo, em Dois Córregos, um veleiro de aço de 19m com quilha retrátil, Aleixo Belov foi ver de perto a construção  pelo menos 6 vezes.  Não sabia por que estava acompanhando e tentando aprender, mas, 14 anos depois veio a resposta. Teve a oportunidade de construir um barco semelhante, e não pestanejou. O Fraternidade nasceu com 21,50m de comprimento, 6,70m de boca, 50t leve, com tanques de 10t de água e 8t de diesel. Com uma quilha de 13t ( 3t de aço e 10t de chumbo), seu calado varia de 2,00m com a quilha levantada até 5,00m com a quilha toda arriada.

Quando Oleg terminou a construção do Kotic, Aleixo confiscou os rascunhos (não tinha plantas). A partir deles, desenhou o Fraternidade, após perguntar a Oleg o que alteraria caso fosse construir outro barco agora. Ele aumentaria a boca de 1,00m, traria o mastro principal mais para popa, faria uma cremalheira na quilha retrátil, etc. Todas estas informações foram aproveitadas, e muito mais. Entregou 5 plantas desenhadas a mão, para Cabinho completar e desenhar no computador. Como levou 5 anos construindo, e neste período encontrou-se 3 vezes com Oleg nos EEUU e 3 no Uruguay (Oleg vive a 20 anos no Kotic e viaja todo ano para a Antártida ou Geórgia do Sul e sabe o que funciona e o que precisa ser melhorado), uma vez com Skip Novak e seu novo Pelagic no Maine (EUA), encomendou o projeto e fabricação dos mastro em Cape Town  onde também foi três vezes e conferiu os cálculos do estaiamento na Nova Zelândia, tudo foi mudando e dos desenhos originais só se aproveitou as linhas do casco de Cabinho que estavam perfeitas. Toda vez que visitava Oleg, passava dias discutindo sobre o projeto, os equipamentos e a sua melhor instalação, e voltava toda vez com um caderno grosso cheio de desenhos e anotações. A tudo isto acrescentou os seus próprios conhecimentos e suas idéias que proliferavam que nem cogumelos depois da chuva. A construção durou 5 anos, e depois que o barco começou a navegar e ficou um ano sendo testado, ainda fez mais de 100 alterações, entre grandes e pequenas. Construir um barco é uma historia sem fim, e a perfeição é inatingível, ela está no infinito.